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Ponta Porã: Tecnologia no campo avança além das máquinas e aproxima jovens da ciência em assentamento

Projetos ligados à biotecnologia, inovação rural e pesquisa aplicada tentam transformar conhecimento acadêmico em soluções para produção de alimentos e permanência no campo

29/06/2026 às 20h14
Por: Redação Fonte: Governo MS
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Ponta Porã: Tecnologia no campo avança além das máquinas e aproxima jovens da ciência em assentamento

Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã, jovens filhos de agricultores familiares discutem inteligência artificial, produção de alimentos e problemas do cotidiano rural. O ambiente lembra mais um laboratório comunitário do que a imagem tradicional associada ao agronegócio de alta tecnologia, marcado por grandes máquinas e extensas plantações mecanizadas.

É nesse espaço que pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolvem projetos voltados à educação, ciência e inovação rural, numa tentativa de aproximar tecnologia e realidade do campo. A iniciativa faz parte do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul.

A coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, afirma que o trabalho começou a partir da escuta da comunidade local. Segundo ela, o objetivo era entender quais eram os principais desafios enfrentados pelos moradores antes de definir estratégias de atuação.

“O foco sempre foi alinhar produção de alimentos, desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento”, afirma.

A experiência em Nova Itamarati ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla em curso no Estado. A incorporação de tecnologia ao agronegócio deixou de se restringir à mecanização das lavouras e passou a incluir pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e agricultura de precisão desenvolvidas dentro de universidades e centros de pesquisa.

Biotecnologia ganha espaço na economia do Estado

Entre as áreas consideradas estratégicas está a biotecnologia, setor que reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura, sustentabilidade e desenvolvimento industrial. A estimativa é de que esse mercado movimente cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2030.

As pesquisas incluem desde vacinas para doenças do rebanho até soluções para problemas agrícolas, como o greening — doença que afeta plantações cítricas — além de iniciativas ligadas à melhoria genética, produção de bioinsumos e tecnologias voltadas à indústria sustentável.

Parte dessa estratégia passa pelo incentivo às chamadas Deep Techs, startups de base científica criadas a partir de pesquisas acadêmicas. A proposta é transformar conhecimento produzido nas universidades em produtos, serviços e empresas capazes de alcançar mercados fora do Estado e até do país.

Segundo o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, a intenção é aproximar pesquisadores e setor produtivo para ampliar a aplicação prática das pesquisas.

“A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios”, disse.

Educação e permanência dos jovens no campo

No assentamento de Ponta Porã, a inovação aparece também como tentativa de enfrentar outro desafio histórico do meio rural: a saída de jovens para os centros urbanos.

O Hub de Educação e Inovação Rural atua justamente para fortalecer vínculos entre estudantes e o território onde vivem. O projeto reúne professores, técnicos, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação em ações voltadas à formação tecnológica e produção rural.

Segundo Juliana Carrijo, a equipe reúne cerca de 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e busca financiamento em editais públicos de pesquisa e extensão tecnológica.

Ela afirma que o espaço deverá funcionar como uma espécie de vitrine tecnológica voltada à agricultura familiar, conectando conhecimento científico e saberes locais em projetos aplicados à realidade do assentamento.

Pesquisa aplicada mira novo perfil econômico

A aposta em ciência aplicada ao agro faz parte de uma estratégia mais ampla do Estado para diversificar a economia ligada à produção rural. Drones com inteligência artificial, agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos aparecem entre as áreas vistas como promissoras.

Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa passam a ocupar papel cada vez mais próximo das cadeias produtivas, em uma tentativa de transformar conhecimento científico em atividade econômica.

Mais do que ampliar o uso de tecnologia nas lavouras, o movimento busca criar soluções desenvolvidas dentro do próprio Estado, com potencial de aplicação em outros mercados.

Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc

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